março 18, 2018

dores

Eleven A.M.
1926
Edward Hopper


...forrou o coração de cinzento, e com lages de granito o trancou. as lágrimas ecoavam na seda, outrora nossa, rivalizando com cadência desordenada da chuva grossa. o estremecer da trovoada lá fora confundia-se na ensurdecedora dor do sangue nas veias, que pouco corria.
da dor que ainda circula, e não se consegue traduzir, quando o raio de sol me reflecte a luz do teu rosto.
da dor que a medicina não cura, que eu não pedi, que vai e vem dona de si mesmo, como tu outrora.
da dor que... aqui semeaste e sempre germina.

tirado dos caderninhos longínquos, outras vidas portanto.





6 comentários:

  1. Essa dor que mesmo quando já passou nos salta à memória e parece doer outra vez. Qualquer coisa que nunca passa completamente, só se enterra no passado.
    ~CC~

    ResponderEliminar
  2. Há caderninhos e vidas inteiras cheias disto mesmo.
    Bom dia CC :)

    ResponderEliminar
  3. As coisas de outras vidas que ainda são, às vezes, esta vida...
    Boa noite, Miguel :)

    ResponderEliminar
  4. E quem disse que a vida, viver, era ausência de dor? Se olharmos à volta, com olhos de ver, dor é sinónimo de vida. Até o acto de nascer é dor.

    Boa tarde Miguel

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá NN ele há dores que sabem bem, e das quais temos saudades quando não as temos :)

      Eliminar
  5. Acho que todos nós vamos coleccionando dores ao longo da vida... e quantas mais vidas, maior é a colecção.

    Da tela que escolheste, confesso que não conhecia Edward Hopper e fiquei curiosa em conhecer a sua obra por causa de uma suspeita: é que a protagonista deste retrato está nua mas tem os sapatos calçados. Será que ele não gostava de desenhar pés nús?

    Beijinhos curiosos
    (^^)

    ResponderEliminar