fevereiro 11, 2018

Invento-te

Achaste por bem arruinar-me o domingo. Vi-te, senti-te, como naquele beijo fugido. Vejo-te no sonho.Acordo nervoso, cansado. O dia está condenado, o teu rosto vai e vem da frente dos meus olhos. Todo o dia. É no fumo de um cigarro de conforto que vejo o teu sorriso, e me lembro do soneto de Ary dos Santos...

Soneto de Mal Amar

Invento-te recordo-te distorço 
a tua imagem mal e bem amada 
sou apenas a forja em que me forço 
a fazer das palavras tudo ou nada. 

A palavra desejo incendiada 
lambendo a trave mestra do teu corpo 
a palavra ciúme atormentada 
a provar-me que ainda não estou morto. 

E as coisas que eu não disse? Que não digo: 
Meu terraço de ausência  meu castigo
meu pântano de rosas afogadas. 

Por ti me reconheço e contradigo 
chão das palavras mágoa joio e trigo 
apenas por ternura levedadas.




  • Jose Carlos Ary dos Santos

janeiro 27, 2018

tudo

será que o ente humano sabe que quando é amado representa TUDO na vida de alguém?

tu sabes?

hoje poderia dizer que não te... o mundo começa e acaba, no negro dos cabelos, e acaba no esmeralda verde dos olhos.

é o mundo que vejo quando fecho os olhos.

hoje isso basta-me


Vanessa at the balcony
by
Fabian Perez 

abismos

nascemos e caímos
o abismo sem fim
fundo, frio
é a primeira visão
da finitude humana
o instinto
é agarrar um dos ramos laterais
daqui em diante a vida será subir
de ramo em ramo
há quedas
até que tenhamos força
para agarrar outro ramo
voltamos a subir
voltamos a cair
o fundo nunca ninguém o viu
nem vai ver
a morte liberta
são as asas
e fomos para longe

sobre as memórias estranhas que ficam de um sonho, que falta faz o bom dormir! digo fomos porque apareceste no fim a voar comigo.

Mazgani - The Poet's Death


janeiro 04, 2018

que dar baste

Não são os anos que nos fazem. O que nos faz, o que nos define, é o bem que a outros fazemos, cuja alegria deverá bastar. Se o querem balizar em termos temporais, que o seja, que 2018 e os outros, sejam o tempo em que alegria do dar de nós a outros nos baste.

Alegre 2018 a todos os que por aqui passam os olhos.

Muito me tem divertido ouvir os covers de famosas músicas, transformadas em jazz e swing. São os PostModern Jukebox, e alegria das alegrias estarão em Portugal em Março.

Já o ensaio "Quem disser o contrário é porque tem razão" de Mário de Carvalho é fantástico para quem se quiser iniciar na arte da escrita de ficção, mas também para quem só quer saber mais. Tem excelentes referências literárias, e explica todas as dificuldades de se criar uma história. Foi uma surpresa muito agradável!


Postmodern Jukebox
Canal YouTube:


Mário de Carvalho
Quem disser o contrário
é porque tem razão






dezembro 20, 2017

Onde andas?

Muitos me perguntam onde tenho andado... Bom, andei no jazz.

Tive a oportunidade de beber um copo com estes senhores no âmbito de um concerto que encerrava uma tournée pela Europa. O Aaron Goldeberg, além de excelente companhia, fala um português com sotaque brasileiro, que permite uma excelente conversa, fruto de uma relação amorosa com uma brasileira no passado, uma "brasileira carioca" dizia. Todos maravilhados com a beleza de Portugal, tão ou mais como eu quando os ouvi.


Aqui fui no escuro, nunca tinha ouvido nada da Patricia Barber. Estou rendido à sua voz gutural, e um estilo interpretativo muito pessoal, a fugir do convencional. É marcante as suas expressões de prazer, quase libidinosas. Abaixo, a música com a qual terminou o concerto que vi. Hora e meia de puro prazer.




Light My Fire
by
Patricia Barber